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O serviço para Hamad/Doha foi suspenso devido ao rompimento das relações diplomáticas com o Qatar
Jun/17 08

O serviço para Hamad/Doha foi suspenso devido ao rompimento das relações diplomáticas com o Qatar

Fonte | Allink e O Globo

O serviço para Hamad/Doha foi suspenso, visto que esse porto era operado via Emirados Árabes, que junto com Arábia Saudita, Egito, Iêmen e Bahrein teve relações diplomáticas rompidas com o Qatar, devido a acusações de apoio ao terrorismo.

O Qatar é o maior fornecedor global de gás natural liquefeito.

O principal índice de ações do país caiu mais de 7% ontem. O petróleo recuou quase 1% diante do receio de que o rompimento de relações diplomáticas com o Qatar possa prejudicar o acordo para redução da produção global. O Brent estava em US$ 49,50, queda de 0,9%.

FUNDO TEM US$ 90 BI EM ATIVOS

A produção de óleo do Qatar está entre as menores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, com uma média de 600 mil barris diários, mas a interpretação dos analistas é que qualquer tensão pode enfraquecer o apoio ao acordo.

“O fato de que a posição do Qatar em relação ao Irã é um elemento-chave nesse assunto indica um cenário mais complicado nos próximos encontros caso a questão não seja resolvida no tempo devido”, escreveram os analistas da JBS Energy.

O efeito da notícia na economia não se restringe ao mercado financeiro. Voos, operações de transferências bancárias e de comércio exterior, além de investimentos podem ser afetados.

Com o 14º maior fundo soberano do planeta, com valor de US$ 335 bilhões, o país tem investimentos que vão do setor bancário ao imobiliário, com mais de US$ 90 bilhões em ativos. O fundo qatari é o terceiro maior acionista da Volkswagen com uma fatia de US$ 9 bilhões, atrás apenas da família Porsche, controladora do grupo, e do estado alemão da Baixa Saxônia.

A carteira de empreendimentos inclui outras grandes empresas. Na joalheria americana Tiffany, a parcela chega a 13%, o equivalente a US$ 1,4 bilhão. O fundo tem ainda 21% da gigante de commodities Glencore e 21% da Siemens. No setor bancário, detém parcela de 6% do Barclays, adquirida após a crise financeira global, e 8% do Credit Suisse.

Há dinheiro qatari em pontos turísticos como o Edifício Empire State. Em agosto, o fundo investiu US$ 622 milhões na Empire State Realty Trust (ESRT), que controla e opera o prédio ícone de Nova York, além de outras propriedades na cidade.

O fundo soberano também detém 8,3% da Brookfield, que comercializa unidades mundialmente. Os ativos em Londres incluem a loja de departamento Harrods, a Vila Olímpica dos Jogos de 2012 e o Shard — edifício mais alto da União Europeia, localizado na capital britânica.

Os tentáculos do fundo se estendem para o setor de energia. A carteira inclui uma fatia de 61% da rede de gás encanado britânica controlada pela National Grid. Em dezembro, o país comprou 19,5% da petroleira russa Rosneft. Para completar a carteira, detém ainda uma parcela de 4,6% da Royal Dutch Shell.

A pequena nação de 2,7 milhões de habitantes se destaca no setor aéreo, com a Qatar Airways, e no setor de mídia, com a rede de notícias Al Jazeera.

O setor financeiro já começa a ter reflexos. Quatro bancos do Egito suspenderam negócios com instituições do Qatar. Eles responderam a decisões internas da diretoria. Alguns pararam de aceitar a moeda do Qatar, enquanto outros suspenderam operações de tesouraria.

O bilionário egípcio Naguib Sawiris, que demonstrou interesse recentemente em investir na Oi, no Brasil, pediu que os empresários do país retirem seus investimentos do Qatar e suspendessem negociações comerciais com o país.

O país será sede da Copa do Mundo de Futebol de 2022. Por causa da Copa, muitos investimentos estrangeiros estão em curso. Os projetos previstos incluem um novo porto, metrô e oito estádios. Matérias-primas importantes, como concreto e aço, chegam por navio, mas também por terra de países vizinhos. O rompimento de relações diplomáticas inclui o fechamento do espaço aéreo e de fronteiras terrestres e marítimas.

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